segunda-feira, 30 de agosto de 2010

IMMANUEL KANT

Nasceu em 22/4/1724 em Königsberg na Alemanha, lugar onde passou toda a vida até o seu falecimento em 12 de fevereiro de 1804. Para ele, não existe bondade natural, por natureza somos agressivos, ávidos de prazeres e com uma boa dose de crueldade. Por isso, devemos fundar uma moralidade não nos sentimentos, que são absolutamente parciais e tendenciosos, mas na razão. Kant foi o primeiro pensador a postular a razão como o único fundamento capaz de criar um critério de moralidade universal, servindo para qualquer cultura.




IDEIA DE UMA HISTÓRIA UNIVERSAL COM UM PROPÓSITO COSMOPOLITA

Introdução

O conceito da liberdade da vontade, as suas manifestações, bem como as ações humanas são determinadas de acordo com as leis gerais da natureza.


A narração das manifestações de liberdade da vontade humana nos permite descobrir um desenvolvimento regular e contínuo na espécie humana.

O desenvolvimento da vida dos seres humanos que gera casamentos, nascimentos e mortes não parece se submeter há alguma regra, porém poucos se dão conta que homens singulares e até povos inteiros seguem a intenção da natureza por eles desconhecida como um fio condutor, concordando e contribuindo para a sua manutenção.

Os homens não agem de maneira instintiva, como os animais, e também não são racionais cidadãos do mundo que agem conforme um plano combinado, como, por exemplo, acontece entre as abelhas ou castores. Não é possível conter a indignação ao constatar que atos de sabedoria são isolados e que a nossa espécie é tecida de loucura, vaidade, maldade e ânsia destruidora. Não se sabe que conceito importará instituir acerca da espécie humana que é convencida de sua superioridade. Portanto não há saída ao filósofo, que não pode pressupor um propósito racional peculiar nos homens, a não ser investigar se há uma intenção da natureza no absurdo trajeto das coisas humanas, a partir da qual seja possível identificar histórias de criaturas que agem sem um plano próprio, mas, no entanto, em conformidade com um determinado plano da natureza. O que se deseja é ver se conseguimos encontrar um fio condutor para tal história.


Primeira Proposição

 
As disposições naturais de um indivíduo estão preparadas para o seu desenvolvimento e utilização de modo apropriado e completo. Um órgão que não atinja o seu fim, não sendo utilizado é uma contradição ao propósito da natureza. Se renunciarmos a esse princípio, já não temos uma natureza regular, mas sim uma natureza que atua sem finalidade.

Segunda Proposição

O homem (como única criatura racional sobre a terra),deve utilizar as disposições naturais que visam o uso da razão em desenvolvimento da espécie e não só em seu benefício.

A atuação da razão, não é instintiva, mas precisa ser exercitada para se obter aprendizagem, avançando de modo gradual de um estágio de conhecimento para outro. Cada homem teria de viver um tempo demasiadamente longo para adquirir a aprendizagem necessária para utilizar perfeitamente de todas as disposições naturais. Se a natureza estabeleceu apenas um breve prazo de vida aos homens, ela necessita de várias gerações, para que o conhecimento adquirido seja transmitido, para que, finalmente o germe inato na nossa espécie alcance o estágio de desenvolvimento adequado a sua intenção. Essa idéia deve ser a meta dos esforços humanos, pois de outro modo, as disposições naturais seriam inúteis e sem finalidade.

Terceira Proposição

A natureza dotou o homem da razão e liberdade da vontade para que o mesmo não precisasse do instinto, podendo se manter dos conhecimentos adquiridos, extraindo tudo de si. Parece que a natureza não tinha o interesse que os homens vivessem bem, e sim que se desenvolvessem até o ponto de pelo seu comportamento se tornar digno da vida e do bem estar.


Quarta Proposição

Há um antagonismo entre as disposições humanas que é caracterizada por uma sociabilidade insociável . Os homens apresentam uma tendência a entrar na sociedade, porque se juntam aos seus semelhantes, sentindo-se mais homem, ou seja, sente o desenvolvimento das suas disposições naturais. Mas também existe uma grande propensão ao isolamento, que é quando o homem se depara com a propriedade insocial de querer que tudo seja do seu gosto, e como conseqüência, espera resistência de todos os lados, pois é o que acontece consigo que resiste contra os demais. Esta resistência é que desperta o homem e o induz a vencer a inclinação a preguiça, pois é movido pela ânsia das honrarias, do poder ou das posses, buscando assim uma posição entre os seus semelhantes, que ele não pode suportar, mas que também não pode renunciar. Surge assim os primeiros passos de uma mudança que vai brutalidade para a cultura, que consiste no valor social do homem, desenvolvendo pouco a pouco talentos e formando gostos, onde o começo se transforma no alicerce de um modo de pensar que, com o tempo, pode mudar a disposição natural para diferenciação moral para formar uma sociedade num todo moral.

Sendo assim, percebemos que há uma inclinação dos homens a viverem em sociedade, no entanto esta tendência está unida a uma resistência universal que ameaça dissolver constantemente a sociedade. Sem as propriedades não dignas de apreço, da insociabilidade de que promana a resistência de que cada ser se depara com as suas propensões egoístas, não seria possível o desenvolvimento de todos os talentos que ficariam inertes no seu germe e os homens dificilmente proporcionariam a sua existência um valor maior, pois não perceberia o vazio da criação em vista do seu fim, como ser de natureza racional. Graças, pois, à Natureza pela incompatibilidade, pela vaidade invejosamente emuladora, pela ânsia insaciável de posses ou também, do mandar! Sem elas, todas as excelentes disposições naturais da humanidade dormitariam eternamente sem desabrochar. O homem quer concórdia; mas a natureza sabe melhor o que é bom para a sua espécie, e quer discórdia, Ele quer viver comodamente e na satisfação; a natureza, porém, quer que ele saia as indolência e da satisfação ociosa, que mergulhe no trabalho e nas contrariedades para, em contrapartida, encontrar também os meios de se livrar com sagacidade daquela situação”.


Perguntas:

1) O texto relata que o desenvolvimento dos seres humanos segue uma intenção da natureza por eles desconhecida como um fio condutor, concordando e contribuindo para a sua manutenção. Comente.

2) Explique o antagonismo entre as disposições humanas que é caracterizada por uma sociabilidade insociável.

Resumo elaborado por: Bruna, Juliane e Milena.

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